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Despesas dedutíveis: o que reduz o IRPJ e a CSLL no Lucro Real, o que fica de fora, limites, depreciação e quanto custa um erro de classificação

Despesas dedutíveis

Despesas dedutíveis são os gastos que a empresa pode descontar do lucro para calcular o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a CSLL. Isso só acontece no Lucro Real, o regime em que o imposto é calculado sobre o lucro de verdade. No Lucro Presumido e no Simples Nacional, o imposto sai de um percentual sobre o faturamento, e as despesas não mudam o valor a pagar.

A boa notícia é que a regra geral é simples: a despesa precisa ser necessária para a atividade, usual no tipo de negócio e comprovada com documento. Aqui você entende o que a lei considera dedutível, o que fica de fora, quais despesas têm limite, como funciona a depreciação e quanto uma despesa mal classificada custa no imposto.

Neste artigo

Em qual regime tributário a despesa reduz o imposto

Só no Lucro Real. Nesse regime, o IRPJ e a CSLL são calculados sobre o lucro contábil, ajustado por adições e exclusões previstas na lei. As despesas aceitas reduzem o lucro e, com ele, o imposto. As não aceitas, chamadas indedutíveis, são somadas de volta ao lucro no Livro de Apuração do Lucro Real, o Lalur, que hoje é entregue dentro da ECF. O post sobre o Lucro Real explica a apuração.

No Lucro Presumido, a Receita presume que o lucro é um percentual do faturamento, e o imposto é calculado sobre essa presunção. No Simples Nacional, a empresa paga uma alíquota sobre a receita dentro do DAS. Nos dois casos, gastar mais ou menos não muda o IRPJ nem a CSLL.

Isso não quer dizer que as despesas não importam fora do Lucro Real. Elas continuam sendo registradas na contabilidade, definem o lucro que pode ser distribuído aos sócios e entram na comparação de regimes. O que não acontece é a redução direta do imposto.

O que torna uma despesa dedutível

A lei do imposto de renda de 1964, reproduzida no Regulamento do Imposto de Renda, define como operacionais, e por isso dedutíveis, as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. A própria lei explica que necessárias são as pagas ou incorridas para realizar as transações ou operações exigidas pela atividade, e que as despesas admitidas são as usuais ou normais no tipo de negócio.

Na prática, a pergunta a fazer é: esse gasto tem ligação com a forma como a empresa ganha dinheiro? Aluguel do escritório, salários e encargos, energia, internet, softwares, honorários de contador e advogado, fretes, material de escritório, marketing e manutenção de equipamentos costumam passar nesse teste sem dificuldade.

O teste falha quando o gasto beneficia o sócio e não a empresa, quando não tem documento ou quando é desproporcional à atividade. Uma viagem de família paga pela empresa, por exemplo, não vira despesa da empresa só porque saiu da conta dela.

Quais despesas não são dedutíveis

A lei federal de 1995 que trata do IRPJ e da CSLL lista despesas que não podem ser deduzidas nem no IRPJ nem na CSLL, mesmo que a empresa as considere necessárias. As principais são os brindes, como canecas, agendas e kits com a marca da empresa distribuídos a clientes; a alimentação de sócios, acionistas e administradores; as provisões, com exceção das feitas para pagar férias e 13º salário dos empregados e das provisões técnicas de seguradoras e entidades de previdência; as doações, fora das exceções com limite que a própria lei prevê; e as contribuições não obrigatórias, exceto as destinadas a seguros e planos de saúde e a previdência complementar em favor de empregados e dirigentes.

A mesma lei veda a dedução de aluguel, arrendamento, depreciação, manutenção, seguros e outros gastos com bens móveis e imóveis que não estejam intrinsecamente ligados à produção ou à comercialização. É o caso do carro usado pelo sócio no dia a dia sem relação com o negócio.

As multas também pedem atenção. A lei federal de 1995 sobre a apuração do lucro proíbe deduzir as multas por infrações fiscais, com exceção das de natureza compensatória, como a multa de mora por pagar um tributo com atraso, e das aplicadas por infrações que não resultaram em falta ou insuficiência de pagamento. A multa punitiva de um auto de infração, portanto, não reduz o imposto.

Sobre a festa de fim de ano, a discussão é própria e já foi tratada no post sobre a festa de confraternização, com as condições que precisam ser observadas antes de lançar o gasto como despesa.

Quais despesas têm limite de dedução

As doações são o principal exemplo. A lei permite deduzir as doações a instituições de ensino e pesquisa que atendam às condições legais até 1,5% do lucro operacional, e as doações a entidades civis sem fins lucrativos que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados ou da comunidade, também dentro das condições legais, até 2% do lucro operacional. Doação fora dessas hipóteses, ou acima do limite, é somada de volta ao lucro.

Existem ainda as doações incentivadas, como as feitas a fundos dos direitos da criança e do adolescente e a projetos culturais aprovados. Elas funcionam de outro jeito: em vez de reduzir o lucro, permitem abater parte do próprio imposto devido, dentro de limites fixados em cada lei.

O PAT, Programa de Alimentação do Trabalhador, segue uma lógica parecida. A despesa com a alimentação fornecida aos empregados dentro do programa é dedutível como despesa operacional e, além disso, dá direito a um incentivo que desconta parte do IRPJ, limitado a 4% do imposto devido à alíquota de 15%, sem o adicional. Em janeiro de 2026, a Receita Federal, na Solução de Consulta Cosit nº 3/2026, baseada em parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, reconheceu que a limitação criada pelo decreto de 2021, que restringia o incentivo aos trabalhadores com até cinco salários mínimos e a um salário mínimo por empregado, não deve mais ser exigida para fins tributários, e que a dedução abrange a parcela do benefício sem limite de valor por empregado.

Por outro lado, desde 1º de janeiro de 2026 o PAT entrou na redução de benefícios fiscais da Lei Complementar 224/2025. Pela orientação da Receita, a empresa aplica 90% sobre o valor do incentivo e 90% sobre o teto de 4%, e fica com o menor dos dois. Na prática, o teto passa a ser de 3,6% do imposto à alíquota de 15%. Por isso a conta do PAT precisa ser conferida pelo contador ano a ano.

Como funciona a depreciação na dedução

Depreciação é a perda de valor dos bens pelo uso e pelo tempo. Quando a empresa compra uma máquina, um computador ou um veículo usado na operação, o valor não é deduzido de uma vez: ele é lançado como despesa aos poucos, ao longo da vida útil do bem.

A Receita Federal publica os prazos de vida útil e as taxas anuais em anexo da instrução normativa de 2017 que consolida o IRPJ e a CSLL, organizados pela classificação fiscal do bem. Os automóveis de passageiros, por exemplo, têm vida útil de cinco anos e taxa de 20% ao ano, enquanto caminhões e motocicletas ficam em quatro anos e 25% ao ano. Edificações, máquinas e computadores têm taxas próprias no mesmo anexo, e a empresa pode usar taxa maior só se comprovar, com laudo técnico, vida útil menor. Depreciação acima da taxa admitida, sem essa prova, é somada de volta ao lucro.

Exemplo: um automóvel de R$ 60.000,00 usado pela equipe comercial, depreciado a 20% ao ano, gera R$ 12.000,00 de despesa dedutível por ano, durante cinco anos. Bens de valor unitário de até R$ 1.200,00, ou com vida útil de até um ano, podem ser deduzidos direto como despesa no ano da compra, desde que tenham utilidade funcional sozinhos, e não como parte de um conjunto.

Terreno não se deprecia. E o bem precisa estar em uso na atividade: a máquina parada no depósito, sem uso, não gera depreciação dedutível.

Quanto custa uma despesa indedutível lançada como dedutível

No Lucro Real, o IRPJ é de 15%, com adicional de 10% sobre a parte do lucro que passa de R$ 20.000,00 por mês, e a CSLL é de 9% para a maioria das empresas. Para uma empresa que já está acima do limite do adicional, cada real de lucro paga 34% de IRPJ e CSLL.

Exemplo com números redondos e hipotéticos: uma empresa do Lucro Real, com lucro mensal acima de R$ 20.000,00, gastou R$ 10.000,00 com brindes para clientes e lançou o valor como despesa dedutível. Na fiscalização, o valor é somado de volta ao lucro, e a diferença de imposto é de 34% de R$ 10.000,00, ou seja, R$ 3.400,00, mais multa de ofício e juros.

O mesmo raciocínio mostra o outro lado. Uma despesa dedutível de R$ 10.000,00 que a empresa deixou de registrar custa os mesmos R$ 3.400,00 em imposto pago a mais. Por isso a classificação correta vale para os dois lados.

DespesaTratamento no Lucro Real
Salários, encargos e benefícios dos empregadosDedutível
Aluguel e manutenção do imóvel usado na atividadeDedutível
Depreciação de bens usados na operaçãoDedutível, dentro das taxas da Receita
Multa de mora por tributo pago com atrasoDedutível
Doações dentro das hipóteses da leiDedutível até 1,5% ou 2% do lucro operacional
BrindesIndedutível
Alimentação de sócios e administradoresIndedutível
Multa punitiva por infração fiscalIndedutível
Provisões, exceto férias e 13ºIndedutível

Que documentos comprovam uma despesa dedutível

A regra é simples: sem documento, não há dedução. O documento precisa estar em nome da empresa, com CNPJ, e descrever o que foi comprado ou contratado. Nota fiscal é o documento principal. Contratos, recibos com identificação completa do prestador, comprovantes de pagamento e relatórios de uso ajudam a mostrar que a despesa é real e ligada à atividade.

Guarde esses documentos pelo menos até o fim do prazo em que a Receita pode revisar a apuração, que em regra é de cinco anos. Em despesas que costumam ser questionadas, como viagens, veículos, consultorias e serviços de partes ligadas aos sócios, vale guardar também a justificativa do gasto: quem viajou, para quê, qual foi o resultado do serviço contratado.

No atendimento do nosso escritório em Campinas, e dos clientes que acompanhamos em todo o Brasil, o que mais vemos travar a dedução não é a despesa proibida por lei, e sim a despesa legítima sem documento, como a nota emitida no CPF do sócio ou o serviço pago sem nota nem contrato.

Quando vale a pena chamar um contador

Quando a empresa está no Lucro Real ou avalia mudar para ele, porque a economia do regime depende de classificar bem as despesas e de fazer o Lalur com as adições e exclusões certas. O post sobre Lucro Real e Lucro Presumido ajuda nessa comparação. Também vale antes de gastos maiores com doações, patrocínios, veículos ou programas como o PAT, que têm regras e limites próprios.

E vale sempre que houver dúvida se um gasto é da empresa ou do sócio. Misturar as duas coisas prejudica a dedução e pode ainda gerar discussão sobre distribuição disfarçada de lucros. É esse o trabalho da nossa contabilidade tributária em Campinas: revisar as despesas todo mês e apurar o imposto com segurança. Se quer uma revisão das despesas da sua apuração, fale com a RRT pelo WhatsApp.

Perguntas frequentes sobre despesas dedutíveis

Empresa do Simples Nacional pode deduzir despesas do imposto?

Não. No Simples Nacional o imposto é calculado sobre a receita bruta, dentro do DAS, e as despesas não reduzem o valor a pagar. Elas continuam importantes para a contabilidade e para apurar o lucro que pode ser distribuído aos sócios.

Empresa do Lucro Presumido pode deduzir despesas?

Não do IRPJ e da CSLL, porque o lucro é presumido como um percentual do faturamento. As despesas só reduzem o imposto no Lucro Real.

Brinde para cliente é despesa dedutível?

Não. A lei proíbe a dedução de despesas com brindes, tanto no IRPJ quanto na CSLL, no Lucro Real.

Refeição dos sócios paga pela empresa é dedutível?

Não. A alimentação de sócios, acionistas e administradores é indedutível. A alimentação fornecida a todos os empregados, sem distinção, é aceita como despesa.

Multa paga pela empresa pode ser deduzida?

Depende do tipo. A multa de mora por atraso no pagamento de tributo tem natureza compensatória e é dedutível. A multa punitiva por infração fiscal que resultou em falta de pagamento de imposto não é.

Qual a taxa de depreciação de um automóvel?

Pelo anexo da instrução normativa da Receita, os automóveis de passageiros têm vida útil de cinco anos e taxa de 20% ao ano. Caminhões e motocicletas ficam em 25% ao ano. Taxas maiores exigem laudo técnico.

Juros sobre capital próprio reduzem o IRPJ e a CSLL?

Sim, no Lucro Real. A empresa pode deduzir os juros pagos ou creditados aos sócios sobre o patrimônio líquido, limitados à variação da TJLP, pro rata dia, desde que tenha lucro do período, ou lucros acumulados e reservas de lucros, de pelo menos duas vezes o valor dos juros. Desde 1º de janeiro de 2026, o imposto retido na fonte sobre esses juros é de 17,5%.

Sua empresa está deduzindo tudo o que pode?

A RRT Contabilidade fica em Campinas, atende clientes de todo o Brasil e cuida da apuração do Lucro Real, do Lalur e da classificação das despesas para que a empresa deduza tudo o que a lei permite, com a documentação certa. Manda o balancete do último trimestre: falar com a RRT no WhatsApp.

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